15
Fev

#Critica: Boyhood

Jéssica Pagliai @ Complementos


You know how everyone’s always saying seize the moment? I don’t know, I’m kind of thinking it’s the other way around, you know, like the moment seizes us.

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De vez em quando, testemunhamos algo que bate em nossa essência… Podem ser dinossauros de verdade como em Jurassic Park de Steven Spielberg, a história de um naufrágio real e sua fatídica viagem inaugural no navio como em Titanic de James Cameron. Grandes produções do cinema que marcam de alguma forma nossa história! E, posso dizer que sinto igualmente essa admiração à magia que é a infância e juventude em Boyhood.

O fator primordial no filme de Richard Linklater é que se baseia na vida normal como seu principal ponto da trama, não apenas nos personagens e suas motivações… Como a vida de pessoas comuns mudam conforme o passar dos anos, em espírito e em metas. De crianças e todas suas descobertas até a idade jovem, com todos seus hormônios em fúria e emoções confusas, se questionando qual seu lugar no mundo quando vivemos apenas uma vez. Filmado durante 12 anos, Boyhood documenta o inicio da vida de um menino chamado Mason Ellar Coltrane, seguindo seu crescimento de 5 aos 18 anos e, praticamente do ensino fundamental a sua mudança para a faculdade. Embora o enredo seja bastante simples, vemos a enorme ambição e motivação do diretor de acompanhar o mesmo grupo de atores durante todos esses anos, onde é clara e verdadeira a evolução de todos, como se nunca viu antes. Uma experiência que possui sua própria história para contar.

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Vemos uma grande transformação do tempo passando diante dos nossos olhos de forma incrivelmente sutil cena após cena, ano após ano… E é espantoso como Ellar Coltrane interpreta Mason tanto menino quanto jovem o levando até a adolescência com graça, ao fim exatamente o tipo de homem que se tornou e, percebemos uma certa intimidade entre criador e criatura, com uma incrível autenticidade e preocupação por entender suas confusões, e ainda, perceber suas falhas. Como o pai de Mason, Ethan Hawke eleva seu personagem para um brilho especial. Apresentando sempre uma vontade desenfreada de se conectar com seus filhos, Dad que é a unica forma como é chamado durante o filme traz um olhar sensacional e intrigante do que é ser pai e humano. Persegue seus sonhos e acredita que estamos sempre destinados a algo maior, e permite que o público se delicie com sua busca complacente da paternidade. Como a Mom, Patricia Arquette é capaz de ser um personagem desanimada mas sem necessidade de piedade. Ela interpreta uma mulher desesperada por uma conexão com outros aspectos de sua vida e, de se reinventar. Com um talento cru de certa forma, Arquette chega a surpreender… Richard Linklater lança sua filha Lorelei Linklater para ser Samantha, a irmã mais velha de Mason e mesmo sem perceber ou aparentemente pensar sobre durante o filme, você secretamente se apaixona por sua transformação de menina para mulher, por ser tão brilhante como a de qualquer pessoa do elenco e permitindo que seu comportamento ainda doce e inicialmente difícil, nos encante.

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Tanto as atuações quanto a narrativa e técnicas utilizadas são maravilhosas… O roteiro de Linklater em praticamente todos os níveis são excepcionais acrescentando um toque de originalidade e uma nova perspectiva sobre o gênero cinematográfico. Já na sua direção, em essência a infância apresentada é incrivelmente real e magnifica!

Boyhood soa bem o suficiente para manter a energia emocional de um clássico de Hollywood. Avança e recua com a corrente, e envolve a todos com sua nenhum pouco forçada, emoção absoluta e genuína e, não temos muitos exemplos como esse hoje em dia… Incrivelmente belo e com muitas camadas que provocam a mente e o coração, nos deixa sentindo o agridoce de uma onda nostálgica mas otimistas sobre o futuro. Um filme que fala perfeitamente de nosso tempo, definindo gerações e indo alem de muitos outros cineastras modernos. Se você é, ou são pais de crianças que cresceram nos anos 1990-2000 iram quase que se sentir dentro da telona!

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Então, para resumir: Boyhood realmente me surpreendeu… Acho que o que o torna tão singular e comovente é sua profunda humanidade! Embora seja um filme de ficção, é impossivel não se relacionar com os atores como em um documentário onde cada cena é mesmo como a vida real. Todos os atores se entregam totalmente em seus papeis, os diálogos são tocantemente naturais e cenas tão ricas em detalhes, que nos fazem sentir inacreditavelmente perto dos atores, como se eles fossem pessoas conhecidas… Mesmo sendo um filme relativamente longo, vale a pena cada minuito!

Indicações ao Oscar 2015: 

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Melhor Filme
Melhor Diretor
Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Atriz Coadjuvante
Melhor Edição
Melhor Roteiro Original

Beijos.

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