13
Fev

#Critica: Whiplash

Jéssica Pagliai @ Cinema


There are no two words in the English language more harmful than good job…

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E quem nunca teve um sonho de ser grande, o melhor em algo? Melhor jogador de futebol, um grande dançarino, uma grande cantora ou mesmo músico… Talvez você tenha desistido dessa grandeza, já que ela não é fácil e que exige mais do que simplesmente fechar os olhos! Em Whiplash, o protagonista também tem esse sonho: ser um grande baterista, que será lembrado para sempre… E, estará disposto a tudo para chegar ao topo.

Andrew Miles Teller tem apenas 19 anos, um aspirante a baterista de jazz e é estudante de um conservatório de música em Manhattan, o melhor do país… Terrence Fletcher JK Simmons é um professor do conservatório e tem um estilo de ensino fora do convencional, impiedosamente brutal. Depois de escolher Andrew para tocar na banda universitária de Jazz, Fletcher incentiva seus músicos ao limite de cada um, a fim de trazer a tona todo seu potencial, pondo em risco inclusive sua humanidade! Transpondo de modo errado e mesmo constrangedor, ferramentas de aprendizagem, de um trabalho evolutivo a ser feito! Pois mesmo com seu talento próprio certamente a ajuda é necessária, mas não é preciso perder quem se é para aperfeiçoar algo que ama.

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Penso que proporcionalmente a todo esse esforço de “grandeza” e excelência do filme, encontramos o escritor/diretor Damien Chazelle e Miles Teller… Chazelle descreveu o filme como “a história da origem dos músicos de jazz da época de ouro e mitos dos heróis do jazz, como de Charlie Parker” na procura urgente da perfeição. O que trás uma grande ironia, já que esse gênero musical é conhecido pela sua liberdade de expressão, e não o jazz mecânico que nos é apresentado, que chega a ofuscar o julgamento ético dos personagens… E, apesar de boa parte do público podendo não saber muito sobre música, incluindo eu, temos uma ideia que da batida perfeita de que estão procurando e quando alguém a erra, mesmo que nossos ouvidos não consigam identificar o porquê…

JK Simmons é simplesmente uma força da natureza, assumindo uma presença aterradora comparada como Bryan Cranston no seu auge como Walter White em Breaking Bad, algo que incita o medo! Mesmo não sendo uma performance de uma nota só, Simmons ainda é subversivo com momentos de fraqueza, insegurança e acessibilidade, chegando até mesmo a trazer alguma leveza. Mesmo que seja um personagem antipático e nenhum pouco bondoso assim por dizer, por alguns momento é um pouco cativante e enigmático e através de uma enxurrada de insultos, um tema aqui explorado é a alegação de que “os fins justificam os meios” e a ideia simbólica que palavras venenosas são apenas mais uma parte de uma técnica de treinamento.

As batidas regentes do filme, ficam por conta especialmente das excelentes atuações! Teller como Andrew é fantástico, e faz jus ao seu antagonista… O diretor-roteirista Chazelle realmente se empenha em expressar a fisicalidade das batidas e Teller a captar exaustivamente sem parecer artificial. É um longo caminho até se chegar ao topo, mas o roteiro traz a decisão certa que permite que Andrew se deleite apenas com pequenos momentos de sucesso, mas depois de o testar de forma surpreendentemente envolvente… Cada volta que a história dá, molda suas expectativas e ambições para em seguida, as aumentar ao ponto certo.

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Enquanto o filme é uma experiencia emocionante, em retrospecto talvez seja sínico… Sugerindo que temos que ser provados de relacionamentos significativos para atingirmos nossos objetivos, sendo inclusive um reforço muito negativo mas talvez apenas uma declaração sobre o que é realmente duradouro… Mesmo não sendo apenas um filme sobre música, adapta elementos de treinamento para o gênero cinematográfico, trazendo uma discussão sobre a perfeição artística com sequencias intimas e ásperas como “quando se é bom o suficiente, e por que?” numa linha fascinante e instintiva, já que bateristas tem que tomar decisões dentro de uma fração de segundos e talento em si, não é tão significativo para ser o melhor!

É incrível saber que o filme foi gravado em apenas 19 dias, pelos efeitos gráficos serem tão bem feitos que parecem terem sido cronometrados com toda uma atmosfera afiada, mas tão rica em emoções, tensão psicológicas e desejos pessoais não correndo nem se arrastando na história. É daqueles filmes que permanecem na mente por dias, como o irritante Fletcher gritando no seu ombro! Hehehe

Whiplash é uma história corajosa sobre uma relação aluno e tutor brutal que ultrapassa fronteiras. Aborda o melhor e o pior de todos com seus temas identificáveis ​​de ética e trabalho meticuloso. Talvez ele possa te incentivar a talvez pegar sua guitarra de novo, colocar suas sapatilhas de ballet ou mesmo, ir para a academia perder uns quilinhos ou aumentar a massa muscular… Pois sim, este é um filme incrivelmente poderoso!

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Então, para resumir: A busca da grandeza nem sempre é bonita… Não importa o seu sonho, você pode ter certeza de que o trabalho duro e sacrifícios pessoais serão parte de sua rotina. Você provavelmente vai ter um mentor, professor ou treinador, cujo trabalho é cultivar suas habilidades enquanto te empurra a novos limites. Este filme questiona se a melhor abordagem é a intimidação ou método preferido atual da sociedade, o carinho. Miles Teller interpreta Andrew, um estudante de primeiro ano em um conservatório de música de Manhattan. Andrew sonha em ser um grande baterista de jazz e quando o é ofereceu um lugar raro no topo conjunto, Andrew rapidamente descobre que o responsável é um professor diferente de tudo que ele já encontrou. Fletcher intimida, humilha e usa todas as formas imagináveis ​​de abuso verbal para treinar seus músicos e, especialmente o jovem Andrew, para alcançar maiores alturas. Andrew e Fletcher batem cabeça a cabeça durante todo o filme, com o tormento mental de Fletcher transformar isso em um thriller psicológico… Embora que intensamente musical.

Qual o preço da grandeza? É uma recompensa merecida punição? São mentores cruel para ser gentil? Você deve ver este filme pela atuação de Simmons e Teller, aproveite a ótima música, pelos pontos de discussão sobre os professores, sociedade e grandeza pessoal… Veja por qualquer ou todas estas e outras razões mas, apenas não diga que o diretor Damien Chazelle fez apenas um “bom trabalho”.

Indicações ao Oscar 2015: 

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Melhor Filme
Melhor Ator Coadjuvante
Melhor Edição
Mixagem de Som
Melhor Roteiro Adaptado

Beijos.

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