17
Ago

Produção de roupas, por mão de obra escrava!

Polêmica

Equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições equivalentes à escravidão, produzindo peças de roupa da marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex. Por exatas: Três vezes!

Na operação, foram investicadas as principais fornecedoras da rede e 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão em duas oficinas: uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte de São Paulo.

A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo a SRTE/SP se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana no interior paulista, em maio desse ano. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes e parte do grupo costurava calças da Zara.

Auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização, Giuliana Cassiano Orlandi, disse: “Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor”. Complementa que, a ação serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, graças ao meio dos hábitos de consumo. “Mesmo um produto de qualidade, comprado no Shopping Center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo”.

Em um quadro encontrado pelos agentes do poder público, incluía: contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system ou pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização. Um dos trabalhadores explorados chegou a conta que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico.

Quem vê as blusas de tecidos finos e as calças da estação nas vitrines das lojas da marca não imagina que ALGUMAS DELAS, foram feitas em ambientes apertados, sem ventilação, sujos, com crianças circulando entre as máquinas de costura e a fiação elétrica toda exposta. Um dos motivos, é porque as peças custam bem caro…

Por fora, as oficinas parecem residências, mas todas têm em comum as poucas janelas sempre fechadas e com tecidos escuros para impedir a visão do que acontece do lado de dentro das oficinas improvisadas.

As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países em busca do “sonho brasileiro”. Quando chegam, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para conseguirem pagar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil. Foram apreenderam dois cadernos com anotações de dívidas referentes à: passagens, documentos e vales que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais as dívidas. Mostram também alguns dos salários recebidos pelos empregados: de R$ 274 a R$ 460, bem menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$ 545.

As oficinas de costura inspecionadas não respeitavam nenhuma norma referente à Saúde e Segurança do Trabalho. Além da sujeira, os trabalhadores conviviam com o perigo iminente de incêndio, que poderia tomar grandes proporções devido a quantidade de tecidos espalhados pelo chão e à ausência de janelas, além da falta de extintores de incêndio. Após um dia extenuante de trabalho, os costureiros, e seus filhos, ainda eram obrigados a tomar banho frio. Os chuveiros permaneciam desligados por conta da sobrecarga nas instalações elétricas, feitas sem nenhum cuidado, que aumentavam os riscos de incêndio. As cadeiras nas quais os trabalhadores passavam sentados por mais de 12 horas diárias eram completamente improvisadas. Alguns colocavam espumas para torná-las tentanto as tornar mais confortáveis. As máquinas de costura não possuíam aterramento e tinham a correia toda exposta. O descuido com o equipamento fundamental de qualquer confecção ameaçava especialmente as crianças, que circulavam pelo ambiente e poderiam ser gravemente feridas dedos das mãos decepados ou até escalpelamento…

Tudo isso para uma redução do preço dos produtos, caracterizando o dumping social, uma vantagem econômica indevida no contexto da competição no mercado, uma concorrência desleal.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lavrou 52 autos de infração contra a Zara devido todas essas irregularidades, nas duas oficinas. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas quéchua e aimará. De acordo com a análise feita pelos auditores, restou claro que o tratamento dispensado aos indígenas era bem pior que ao dirigido aos não-indígenas. “Observa-se com nitidez a atitude empresarial de discriminação. Todos os trabalhadores brasileiros encontrados trabalhando em qualquer um dos pontos da cadeia produtiva estavam devidamente registrados em Carteira de Trabalho e Previdência Social, jornadas de trabalho condizentes com a lei e garantidos em seus direitos trabalhistas e previdenciários.  E por outro lado, os trabalhadores imigrantes indígenas encontram-se em situação de trabalho deplorável e indigno, em absoluta informalidade, jornadas extenuantes e meio ambiente de trabalho degradante.

A primeira oficina vistoriada mantinha seis pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condições de trabalho escravo. No momento da fiscalização, os empregados finalizavam blusas da Coleção Primavera-Verão da Zara, na cor azul e laranja. Para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada. No dia seguinte à ação, dia 27 de junho, foram até uma loja da Zara na Zona Oeste de São Paulo, e encontraram uma blusa semelhante, fabricada originalmente na Espanha, sendo vendida por R$ 139.

A oficina funcionava em um cômodo de uma casa pequena , na parte de cima de um sobrado. Seis máquinas de costura ocupavam uma pequena sala. Dois quartos abrigavam todos os trabalhadores, inclusive casais com filhos. O espaço era dividido por guarda-roupas e panos. No banheiro, não havia água banho quente, pois o chuveiro estava desligado para reduzir o consumo de energia elétrica, que era totalmente destinada à produção. A adolescente de 14 anos tomava conta das duas crianças enquanto as mães trabalhavam. Ela ajudava também na limpeza da casa e no preparo das refeições. No Brasil desde 2010, não está estudando. Seu irmão juntou dinheiro e foi buscá-la na capital boliviana de La Paz.

A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores.

Parte da produção foi apreendida, assim como as peças pilotos, que carregavam instruções da Zara de como confeccionar a peça de acordo com o padrão definido pela varejista multinacional. “Isso demonstra a subordinação das oficinas e da AHA em relação à Zara”, realça Giuliana. A oficina e um dos quartos, onde dormiam dois trabalhadores e duas crianças, foram interditados. A fiação elétrica estava totalmente exposta e havia possibilidade de curto-circuito.

Os trabalhadores declararam trabalhar das 7h30 às 20h, com uma hora de almoço, de segunda à sexta-feira. Aos sábados, o trabalho seguia até às 13h. Um trabalhador chegou a relatar que há dias em que o trabalho se estende até às 22h. O local funciona em um sobrado de dois andares, com muitos cômodos. O maior deles, onde os trabalhadores passavam a maior parte do dia, acomodava as máquinas. Os cinco banheiros estavam muito sujos. Somente três possuíam chuveiros, mas todos também estavam desligados.

A Zara foi avisada do flagrante no momento da ação pelos auditores fiscais e convidada a ir até a oficina de costura, mas não compareceu.

No dia seguinte, compareceram à sede da SRTE/SP dois diretores, que não quiseram participar da reunião de exposição dos fatos. Até o advogado da empresa foi embora sem ver as fotos da situação encontrada. Somente duas advogadas da AHA, que no início da reunião se apresentaram como enviadas dos donos das oficinas e até dos trabalhadores, participaram da reunião com os auditores. A empresa não providenciou sequer alimentação às vítimas, que ficou a cargo do sindicato da categoria.

Durante o período auditado pela fiscalização (julho de 2010 a maio deste ano), a AHA foi a fabricante da Zara que mais cresceu em faturamento e número de peças de roupas faturadas para a marca, a ponto, na descrição da SRTE/SP, de se tornar a maior fornecedora da Zara na área de tecidos planos. Entretanto, chamou a atenção dos agentes que, nesse mesmo período, a empresa diminuiu o número de empregados formalizados. Os contratados diretamente da AHA passaram de 100 funcionários para apenas 20. A redução do de trabalhadores na função de costureiros foi ainda mais drástica: dos anteriores 30 para cinco funcionários exercendo a função. “O nível de dependência econômica deste fornecedor para com a Zara ficou claro para a fiscalização. A empresa funciona, na prática, como extensão de logística de sua cliente preponderante, Zara Brasil Ltda.”, sustentam os auditores fiscais do trabalho que estiveram à frente da investigação.

A confecção de uma calça gerava ao dono da oficina terceirizada R$ 6, em média. Este valor era dividido em três partes: R$ 2 para os trabalhadores; R$ 2 para as despesas com alimentação, moradia e outros custos; e R$ 2 para o dono da oficina. Após a produção na oficina, a intermediária (AHA) recolhia a produção e encaminhava as peças à lavanderia, também terceirizada. Depois, o produto ainda era acabado e embalado para ser entregue à Zara.

Após os flagrantes, os trabalhadores compareceram à SRTE/SP, onde foram colhidos depoimentos e emitidas as carteiras e guias de Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. Parte das vítimas já havia dado entrada na documentação obter o visto de permanência no Brasil.

As verbas rescisórias, que acabaram sendo pagas pela intermediária AHA, totalizaram mais de R$ 140 mil. As contribuições previdenciárias sonegadas e pagas a posteriori somaram cerca de R$ 7,2 mil. Já as contribuições sociais e ao FGTS sonegadas chegaram à R$ 16,3 mil.

A AHA, que preferiu não responder especificamente ao conjunto de perguntas enviadas. A advogada da fornecedora da Zara enviou apenas uma nota escrita a imprensa e declarou que a empresa “jamais teve conhecimento da utilização, pelas oficinas contratadas, de mão de obra escrava; jamais teve qualquer participação na contratação dos funcionários de referidas oficinas; e, assim que tomou conhecimento de irregularidades constatadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, imediatamente adotou todas as providências necessárias à regularização”.

Após a fiscalização, a Rhodes pagou as verbas rescisórias de cada trabalhador. A fiscalização foi à nova oficina de Narciso, em 26 de junho, e constatou melhorias. Entre elas, o registro de todos os funcionários, regularização migratória, submissão de costureiros a exames médicos.

De acordo com auditores fiscais da GRTE de Campinas-SP, houve adequação da instalação elétrica e melhora do espaçamento entre as máquinas. Os trabalhadores agora utilizam cadeiras com melhores condições ergonômicas e de conforto. A iluminação também foi melhorada e os equipamentos de incêndio estão todos válidos e sinalizados. As saídas de emergência foram demarcadas.

“Com a mudança da oficina e a suspensão da interdição, grande parte dos trabalhadores voltaram a trabalhar de forma regular nas novas instalações da mesma oficina“, discorre a auditora Márcia Marques. Foram lavrados 30 autos de infração contra a intermediária Rhodes pelas irregularidades encontradas. Nove autos se referem às questões trabalhistas e as demais infrações estão relacionadas à saúde e segurança do trabalho. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a Rhodes pelos telefones da empresa.

Em resposta a questões sobre os ocorridos, a Inditex – que é dona da Zara e de outras marcas de roupa com milhares de lojas espalhadas mundo afora, classificou o caso envolvendo a AHA e as oficinas subcontratadas como “terceirização não autorizada” que “violou seriamente” o Código de Conduta para Fabricantes. Seungod a Inditex, o Código de Conduta determina que qualquer subcontratação deve ser autorizada por escrito pela Inditex. A assinatura do Código do Conduta é obrigatória para todos os fornecedores da companhia e foi assumido pelo fornecedor em questão.
A empresa disse ter agido para que o fornecedor responsável pela “terceirização não autorizada” pudesse “solucionar” a situação imediatamente, assumindo as compensações econômicas dos trabalhadores e comprometendo-se a corrigir as condições de trabalho da oficina flagrada com escravidão.

Haverá, segundo a Inditex, um reforço an revisão do sistema de produção da AHA, assim como das outras empresas no Brasil, para garantir que não exista outro caso como este. “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”.

Em 2010, a Inditex produziu mais de 7 milhões de unidades de peças no Brasil, desenvolvidas, segundo a empresa, por cerca de 50 fornecedores que somam “mais de 7 mil trabalhadores”. O total de peças que estava sendo produzido irregularmente algumas centenas de peças, adicionou a Inditex, representa “uma porcentagem inferior a 0,03%” da produção do grupo, que é um dos maiores do mundo no segmento, no país.

Lembrando que: A maior parte dos produtos do grupo que comanda a Zara é feita na Europa. Metade é confeccionada em países como Espanha (onde a empresa mantém fábricas próprias) ou Portugal. Outros 14% são fabricados em outras nações europeias como Turquia e Itália. A produção no Brasil corresponde a algo inferior a 1% do total. Em 2010, 30 lojas da Zara já estavam em funcionamento no país. São cerca de 2 mil profissionais contratados diretamente.

No que se refere à presença comercial, o Brasil é o terceiro mercado mais importante da Inditex no continente americano, ficando atrás somente dos Estados Unidos e do México”, colocou a empresa, que manifestou intenção de não abandonar a produção no país. “A Inditex prevê seguir crescendo no Brasil com a abertura de novas lojas a curto, médio e longo prazo”.

Via: Vermelho.org

Eu sinceramente achei esse caso um absurdo!

Primeiro, por descobrir que em pleno Século XXI ainda tenham coragem de um ato tão horrendo que é a escravidão. E por ver que, as maiores vítimas disso são imigrantes.
Acho que, só tem idéia do que é xenofobia, quem está fora de seu pais. E é muito triste ver que isso também acontece no meu…

O que vocês acham? Não deixem de colocar suas opiniões também!

Beijos.

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27
Nov

Preconceito: Imigrantes&Emigrantes

Opinião Pessoal Polêmica

Sei que já falei um pouco sobre Xenofobia, mas esses tempos aconteceram duas situações as quais não poderiam passar em branco…

A primeira já é um pouco mais antiga, aconteceu no meu Estado São Paulo, onde uma estudante de DIREITO twittou a seguinte frase: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!
Fiquei abismada, e surpresa por alguns fatos sobre isso: Uma estudande do curso de direito, devia ter consiencia que, esse tipo de preconceito é de acordo com a lei brasileira crime, se não me engano, sendo julgado com o mesmo efeito de preconceito racial; Não percebeu que, o twitter é público e mundial, sendo que não apenas seus seguidores o veriam? Representando assim: injuria e difamação. Sei de tudo isso, mesmo não sendo advogada, e ela…

.

O outro e mais sério aconteceu aqui em Portugal, em Caldas da Rainha para ser mais específica. Um imigrante brasileiro foi morto a facadas, quando voltava com sua companheira e amigos de um café (mais ou menos, chamado de barzinho no Brasil); a vitima parou para urinar, num muro e então o autor do crime, que estava embreagafo e ainda não foi identificado, começou a ofender todos os presentes, dizendo: “Brasileiro de m**** vai para a tua terra, vagabundo…” começaram uma discução, partiram para agressão e, a história acabou desse modo trágico.
Não quero tirar a culpa de ninguem, pois Luciano Correio estava totalmente errado de usar a rua como casa-de-banho banheiro e também partindo para a agressão; mas as ofenças e a ação do autor foram totalmente ofencivas.
De certo modo, consigo me colocar em seu lugar: passamos por cada situação, ouvimos cada tipo de generalização, que chega uma altura que “o copo de aguá transborda”…

Acho que, mesmo que de certo modo distintas, as duas situações são bem parecidas: O Preconceito, A Intolerância…

Para não alongar mais o assunto, o vídeo abaixo, matéria do fantástico ilustram perfeitamente as situações:

E vocês, o que acham disso? Por favor, não deixem de opinar.

Beijos.

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10
Mar

Xenofobia: preconceito conta imigrantes

Arquivo Confidencial

Como todo mundo por aqui já deve saber, sou uma imigrante brasileira.

E confesso que só fui ter conhecimento deste tipo de preconceito, após ter sentido na pele esta situação.

Ao tirar meu curso de Ação Social por aqui, falei justamente sobre este assunto, e então pesquisei bastante sobre isso e descobri varias coisas…

Para quem não sabe, Xenofobia é a aversão, o preconceito a pessoas e coisas estrangeiras, ou seja, acontece em todos os países contra todas as etnias.

Com relação ao existente conosco brasileiros, tenho uma teoria: o Brasil é sincero demais… Todas as coisas más que acontecem, se noticia em repercussões mundiais, o que para fora do país se pensam haver só violências e assaltos. E as boas? São ligadas ao clima tropical, as riquesas naturais…

Como por exemplo, quando a atriz Kristen Stewart chegou a São Paulo, para divulgação do filme Lua Nova disse que não imaginava que existiam tantos prédios no Brasil…

E vocês, o que acham sobre isso, sobre este assunto? Sei que é um tanto quanto delicado, mas achei importante por aqui comentá-lo… Hehehe

 

Este imagem que estou usando é uma propaganda que diversos países fazem contra a imigração… Por isso não se assustem!

Beijos.

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